Façam o Leão rugir
20 Abr, 2023

Em setenta e duas horas, mais concretamente o espaço temporal que mediou entre o fim do jogo de Turim contra a Juventus FC para a UEFA Europa League, e o início do jogo em Alvalade frente ao Arouca, para a Liga Portuguesa, um denominador existiu em comum. O de ter sido um Sporting CP dominador em ambos, mas com resultados que não foram os que todos nós queríamos. Contra a Vecchia Signora tivemos mesmo momentos de verdadeiro esplendor no relvado, enquanto contra o Arouca, longe da perfeição evidenciada em Itália, a haver um vencedor, tal o domínio patenteado, teria que ser obrigatoriamente o Sporting CP.
E se falei em denominador em comum, referindo-me aos resultados menos bons, outro existiu nos dois jogos. Um Leão perdulário. Aliás, como tem sido, e infelizmente, a imagem de marca do nosso futebol sénior no decorrer desta época, em que a finalização tem sido a sua maior pecha.
Mas como ser do Sporting Clube de Portugal é sempre, e em qualquer circunstância, apoiar o clube tanto no doce sabor das vitórias como no amargo das derrotas, e acreditar... acreditar muito, logo mais, quando a nossa equipa entrar em campo para o jogo da segunda mão ante a Juventus FC temos que fazer do Estádio José Alvalade um vulcão em erupção. Dizer aos nossos rapazes que pese um quarto lugar que não é, longe disso, a imagem de marca do nosso Clube, e não podemos nem devemos escamotear que estamos a fazer uma época pouco conseguida a nível nacional, que estaremos com eles até ao fim. E terá que ser, numa verdadeira simbiose entre as bancadas e o relvado, fazendo ouvir bem alto o rugido do Leão que ficará mais perto o sonho que todos ambicionamos.
Teremos que dar ao verbo acreditar todo o seu sentido. Eu, tu, ele, nós, vós e sobretudo eles... porque são eles, os nossos rapazes, aqueles que vão envergar o nosso emblema logo mais, que têm nos pés, jogando com muita cabeça e com a concentração no máximo, a possibilidade de fazer feliz todo o universo Leonino.
Mas não só de UEFA Europa League se faz a história do Leão europeu.
Estamos igualmente na UEFA Youth League, com a particularidade de, pela primeira vez na história da prova, a sua final four contar com a presença do nosso clube. E já amanhã, quando os jovens Leões enfrentarem os neerlandeses do AZ Alkmaar, adversário difícil e que ganhou com facilidade a adversários poderosos como o Real Madrid e o Barcelona no decorrer da competição, poderá estar a dar-se início a um capítulo que passa por escrever a letras de ouro o nome do Sporting Clube de Portugal. O palco será o Stade de Genéve na Suíça, e terá que ser com esforço, dedicação e doses industriais de devoção, aliada a uma capacidade de sofrimento e à qualidade intrínseca deste nosso grupo de trabalho, que o "caneco" pode rumar ao nosso Museu.
Apenas um pedido aos nossos "meninos". Vocês são aqueles que representam o emblema que foi igualmente envergado por Paulo Futre, Luís Figo e Cristiano Ronaldo, entre tantos outros craques do firmamento do futebol mundial. Agora é a vossa hora. Acreditem. E quando peço para acreditar, é óbvio que é extensível aos seniores e aos sub-19. O sonho é possível!
No passado domingo de Páscoa fomos ao fim da tarde ao Estádio Nacional, no Jamor, disputar a nossa partida contra o Casa Pia. Foi um jogo “quase de loucos”. E não, nem foi por causa do Fábio VARíssimo, que globalmente até esteve bem (ainda que me pareça indiscutível a mão do casapiano na bola no lance aos 34 minutos que estava a disputar com o Chermiti). Foi isso sim, porque − como é hábito − criámos várias oportunidades de golo, marcámos mesmo quatro golos (única equipa a fazê-lo até agora perante o Casa Pia, que tem indiscutível boa equipa, bem treinada por Filipe Martins), sendo que o primeiro é mesmo o mais “madrugador” de todo o campeonato, pois foi logo aos dezassete segundos de jogo. Um belíssimo golo de um jogador, Trincão, que finalmente está a demonstrar todo o seu potencial, que fez − com Pote − uma bela exibição e que marcou pela primeira vez na sua carreira um hat-trick! Sucede que tivemos a nossa defesa em dia de “colectiva folga” tantos foram os erros e desatenções que houve e que todos somados permitiram que por três vezes o Casa Pia conseguisse chegar ao empate! Surreal! E impróprio para cardíacos! No fim… pois, ganhámos! Mas lá que poderíamos e deveríamos ter tido uma tarde bem mais sossegada, pois… deveríamos mesmo! Como Rúben Amorim bem salientou no final e como, aliás, todos esperávamos, depois da sequência de jogos que vínhamos fazendo quase imaculados do ponto de vista defensivo! Esperança em que retomemos rapidamente a nossa coesão e consistência são seguramente os votos de todos os Sportinguistas!
Mais um título garantido, mais uma taça com entrada directa no Museu Sporting. A equipa feminina de natação voltou a sagrar-se campeã nacional por equipas, no segundo campeonato consecutivo da formação Leonina, o oitavo da história do Clube, numa demonstração de dedicação e resiliência, como fica espelhado nas palavras da nadadora Rita Frischknecht: “somos uma equipa bastante jovem e a influência que temos dos rapazes que durante nove anos foram vencedores deste campeonato, faz com que queiramos muito ter aquilo que eles tiveram”. Do lado dos “rapazes”, o título de vice-campeões nacionais, numa competição que marcou a despedida de Alexis Santos das piscinas: 136 títulos, participações em Campeonatos da Europa, do Mundo e nos Jogos Olímpicos, um Leão que deixou a sua marca no desporto português.