Basta…mas não basta!
28 Set, 2017
Editorial do Director do Jornal Sporting na edição n.º 3643
Com toda a legitimidade e assertividade, o senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) fez publicar nos três diários desportivos nacionais, na passada sexta-feira, um artigo de opinião intitulado “É tempo de responder aos sinais de alarme”.
No referido artigo, o Presidente da FPF, recentemente nomeado membro da Comissão Executiva da FIFA, que aqui aproveitamos para felicitar e formular votos de maiores sucessos, deixa um alerta no sentido de se encontrar uma plataforma de entendimento que possa travar o clima de ódio e violência que se vive no futebol, antes que seja tarde demais.
Se é verdade que estamos de acordo e partilhamos a preocupação manifestada pelo Presidente da FPF, quanto aos princípios e aos fundamentos do articulado, pensamos no entanto que a sua actuação deve ir mais longe, de acordo com as obrigações e competências da instituição a que preside, e explicamos porquê.
Enunciar aquilo que todos estão a ver e a sentir, é meritório mas não é suficiente para quem tem as responsabilidades que tem e, como é sabido, não se iniciaram agora. Mais do que discorrer sobre eventuais consequências, há que, com coragem e determinação, centrar-se nas causas que originam todo este ambiente pouco saudável.
Como é sabido, o Sporting Clube de Portugal tem, na actual gestão, apresentado um conjunto de propostas legislativas e percorrido as mais diversas instituições nacionais e internacionais, numa atitude pró-activa e construtiva. Uma delas respeita precisamente ao combate à violência. Aqui, como bem afirma Fernando Gomes no seu artigo, “ninguém pode ficar de fora”, mas para isso, o mínimo que poderemos exigir é que a lei se cumpra!
Uma dessas situações diz respeito aos Grupos Organizados de Adeptos (GOA), vulgarmente designados por claques, em que o Sporting Clube de Portugal dispõe de quatro devidamente legalizados, cumprindo o que a lei exige. Até aqui tudo bem e dentro da normalidade, mas já não o é, quando a poucos metros de distância há um outro clube que, teoricamente, se rege pelo mesmo quadro legal, tendo as claques que toda a gente vê mas que permanecem ilegais. Sem pejo de vergonha, os responsáveis desse clube afirmam desconhecer a sua existência, numa afirmação que consegue, por certo, envergonhar a criação de Gepeto, já que não teria descaramento nem nariz que crescesse para tal.
Mas, mais grave do que tudo isto, é as mais diversas instituições “assobiarem para o lado” como se nada se passasse e, neste caso, é mesmo uma situação a que é necessário dizer basta, mas não basta denunciá-la. É necessário uma actuação célere e firme, nomeadamente da FPF. Mas mais, todo o clima de suspeição envolvendo quase sempre os mesmos suspeitos do costume, obriga também a uma intervenção enérgica por parte da FPF. Os eventuais ilícitos tornados públicos através do “caso dos e-emails”, mais do que palavras, exige acção imediata.
Meu caro presidente Fernando Gomes, um dos grandes combustíveis da violência, senão o mais carburante, é a injustiça. Por isso, é importante que não se desvie a atenção com cortinas de fumo daquilo que é essencial, e se queira resolver mesmo os problemas.
No mundo não há só bons de um lado e maus do outro. Para que o sentimento de injustiça se desvaneça e não potencie a violência, a impunidade, como os casos referidos anteriormente que são apenas uma parte de um todo bem maior, não podem continuar.
O mais fácil é falar de estilos e esquecer a substância. Mas o que ninguém, e sobretudo o presidente da FPF, pode ignorar é que é através desta última que se encontram as soluções. Neste aspecto, o Sporting Clube de Portugal tem contribuído, e continuará a contribuir, para um desporto melhor, mais justo e mais transparente.
Boa leitura!