O regresso do 'leões' às estradas do Algarve
16 Fev, 2016
Sporting CP/Tavira inicia amanhã 42.ª edição da Volta ao Algarve em bicicleta
Fabian Cancellara, suíço de 36 anos mais conhecido por ‘Spartacus’, que entre vitórias no Tour e na Vuelta até uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos já conseguiu, começou o ano com um triunfo no Trofeo Serra de Tramuntana; Michal Kwiatkowski, outro dos melhores corredores da actualidade, ficou na segunda posição. Fabio Aru, Tom Boonen e ‘Purito’ Rodríguez andaram a rolar em bom ritmo na Volta a Valência, ao passo que Thibaut Pinot foi terceiro na Étoile de Bessèges. A Volta ao Algarve já costuma ter um naipe de corredores de nível mundial mas, este ano, os principais chegam quase todos já com algum andamento (Alberto Contador é a excepção). Por isso, projectar aquilo que poderá ser a estreia do Sporting CP/Tavira é quase uma incógnita que encerra, ainda assim, uma certeza: será uma alegria para os muitos seguidores da equipa, que já começam a demonstrar a ansiedade para que as camisolas ‘verde e brancas’ cheguem às estradas.
“Sendo a primeira prova, nunca sabemos o que esperar. Sabemos que existe um ‘handicap’: vamos correr contra os melhores do Mundo já com um mês de competição na Austrália, na Argentina, no Dubai e na Europa. Isso faz diferença, sobretudo nesta fase. Os índices físicos dos nossos corredores são bons mas ainda não temos um termo de comparação, só daqui para a frente é que poderemos ver se estamos melhor ou pior do que os outros. Se fosse uma prova só com equipas portuguesas, aí saberíamos de forma antecipada o nível; assim, e tendo em conta que falamos de atletas que só vemos pela TV ou em provas com contacto esporádico, é diferente”, explica Vidal Fitas antes de detalhar os principais objectivos do estágio que a equipa vai realizar antes da prova: “Este ano vamos ter um arranque diferente, um pouco mais atrasado, como já sabíamos. Na concentração que tivemos na Academia, discutimos o calendário, o que se espera de cada atleta, as ideias para cada um estar melhor numa determinada fase da época e desenhámos os planos de treino que são individuais. Agora, além da entrega de todo o equipamento e roupa, serão cinco ou seis dias com um ou dois treinos mais intensos para activar, mas o resto é de descompressão e de recuperação porque a carga já foi feita antes através dos treinos de cada um. É normal este estágio ser convocado ainda em Janeiro mas isso não quer dizer que esteja mal”.
Em paralelo, o director desportivo falou do momento dos corredores e do traçado da prova algarvia, nomeadamente a alteração na chegada a Fóia. “O grupo de oito corredores que escolhemos [Rinaldo Nocentini, David de la Fuente, Mario González, Jesús Ezquerra, Óscar González, Luís Fernandes, David Livramento e Valter Pereira] está mais à frente dos outros a nível de preparação porque já tínhamos pensado as coisas nesse sentido. Ainda assim, não é por isso que podemos dividir o plantel em dois grupos porque estão sempre todos a 80%/85%, fazendo picos em alguns períodos”, frisou, completando: “O traçado é propício para o espectáculo, com duas chegadas no alto e um contra-relógio. A etapa da Fóia foi alterada e fiz este fim-de-semana o reconhecimento. Será mais complicado do que é normal porque tem antes subidas difíceis que podem ‘partir’ o grupo e reduzi-lo para um leque mais restrito. Vai depender muito de como estiverem os corredores e da capacidade que tenham para defender-se nas partes mais duras da montanha e no contra-relógio”.
Por fim, Vidal Fitas admitiu que a região algarvia já começa a empolgar-se com a prova. “As pessoas estão ansiosas. Logo que começarmos a treinar identificados será tudo diferente porque querem tirar fotografias, apoiar, puxar para cima. Sempre tivemos uma grande falange de apoio e sendo uma competição no Algarve ainda mais gente nas estradas vamos ter com as nossas cores”, assegura.