Uma Razão de Ser com 103 anos
03 Abr, 2025
31 de Março de 1922. Uma data marcante, como tantas e tantas outras escritas a letras de ouro nos já quase 119 anos da gigantesca história do Sporting Clube de Portugal. Foi a data em que, com o título: Razão de Ser, saíu o primeiro número do então Boletim do Sporting CP, sob a direcção de José Serrano.
Uma ideia fantástica dos Leões daquela já longínqua época, que nos tornou pioneiros e que faz do nosso jornal o mais antigo de clubes do Mundo.
Já aqui escrevi várias vezes o orgulho que tenho em fazer parte do seu lote de colaboradores. Escrever sobre o "meu" Sporting é algo que semanalmente me faz ter a felicidade de um Leão que desfruta de um privilégio raro. O de escrever sobre o clube que ama desde criança. Que ama até, de uma forma que roça tantas vezes o irracional.
Foi neste jornal para onde agora escrevo, que religiosamente lia em criança na casa do Sr. Brito, um "velho Leão" que já partiu que era assinante e que depois de o ler o guardava para eu dele usufruir. Assim o fazia de ponta a ponta. Que devorava cada caracter nele escrito de forma deliciada. Que recortava notícias de conquistas – e tantas elas foram – para guardar para a posteridade. Que tanta e tanta da História do nosso Clube nele aprendi. Que aprendi até a escrever melhor com prosas fantásticas de Leões que muito me ensinaram.
A década de 70 do século passado aquela em que me tornei Associado do Sporting CP – o tempo voa, literalmente – foi aquela em que a criança que eu era então começou a ler o nosso Jornal. Corria o tempo de João Rocha na presidência e das conquistas atrás de conquistas nas modalidades e também no futebol que, embora menos, foram também algumas.
Uma época em que pontificavam grandes nomes da História do Sporting CP e do desporto português e internacional. Tantos que não arrisco a dizer os nomes, porque o espaço desta coluna de opinião não chegaria para escrever os de todos.
Quis também o destino que muitos que lia sobre eles se tornassem meus amigos no futuro. Que muitos que eu queria tanto pedir autógrafos me viessem a contar na primeira pessoa estórias sobre eles.
O Jornal Sporting funciona para mim desde sempre como um companheiro de viagem, quando já passou no tempo meio século desta relação apaixonada.
Dos textos que escrevi ao longo dos anos, e já são alguns que aqui tenho como cronista, uns foram mais fáceis de escrever do que outros, sobretudo devido ao estado emocional. Porque só sei escrever com a emoção espelhada no sentimento quando falo do "nosso" Clube. Já aqui escrevi sobre momentos inolvidáveis, mas também sobre momentos menos bons. Mas escrevi sempre orgulhoso desta minha condição de Sportinguista de antes quebrar do que torcer.
O Jornal Sporting completou 103 anos. Os tempos permitem hoje que se leia em papel e também no digital. De ambas as formas é lido por milhares de Leões. Que para eles, como para mim é um companheiro inseparável. Um companheiro de uma vida que já lia muito antes de nele começar a escrever. E assim continuarei quando um dia dele sair.
Obrigado, Jornal Sporting, por esta longa vida a informar diversas gerações de Sportinguistas. A caminho dos 104!
P.S 1 – No futebol faltam sete "finais". A próxima é já na segunda-feira na nossa "casa" com o SC Braga. Todos juntos... até ao fim.
P.S 2 – O futsal continua a ter a vitória como marca identitária. Depois da Taça da Liga, chega agora a conquista da décima Taça de Portugal. O Museu tem sempre espaço para mais. E esta época queremos mais. Vamos acreditar. Os nossos rapazes sabem como ninguém os caminhos para o êxito.